31 janeiro, 2012

A bolsa utilitária que virou moda na França




A Ze Bag pode ser usada para transportar até seis garrafas de forma prática e 
segura, ou também para estocar vinhos em casa.

30 janeiro, 2012

Da simplicidade

"Encontrar os elementos universais suficientes, encontrar o ar e a água estimulantes, ser refrescado por um passeio de manhã cedo ou à tarde, estar entusiasmado com aparência das estrelas à noite, apreciar o ninho de um pássaro ou uma flor silvestre da primavera - essas são algumas das recompensas da vida simples."
-John Burroughs


Vinho: Haedus Rosé, do pequeno produtor orgânico
Ferry-Lacombe, em Provence.
Prato: Robalo assado ao cítrico com arroz frito melangé,
receita exclusiva do meu pai que envolve jogar todas

as sobras da geladeira na panela e adicionar o arroz.

Aprecio cada vez mais vinhos simples. Mas o que é um vinho simples? Abaixo pequenos verbetes sobre a simplicidade de um vinho.

O vinho simples expressa tipicidade, ou seja, que reflete a sua origem, um senso de lugar, o somewhereness, nas palavras de Matt Kramer.

O vinho simples é aquele que não precisa de madeira em excesso para mascarar um ou outro defeito. Às vezes o defeito nem é defeito, e sim uma imperfeição, que na maioria das vezes se resume à uma qualidade de um clima, do terroir, de uma determinada cepa, da safra... Quem disse que uma cicatriz ou uma mancha na pele é necessariamente uma "imperfeição". Muito pelo contrário, elas podem carregar significados importantes ou histórias singulares.

O vinho simples não demanda a sua atenção durante todo o jantar. Ele te "escuta" mais do que fala, dá mais do que pede, e se revela aos poucos, como um caso bem contado ao longo de uma refeição entre amigos de longa data.

O vinho simples é mais autêntico, porque insiste em ser o que ele é, ou melhor, ele tem a coragem de ser o que ele é, de assumir humildemente o seu lugar frente à outros vinhos "maiores" do que ele.

A simplicidade, no caso dos vinhos, é uma virtude que vem do berço. Produtores simples produzem vinhos simples (o que não é nada simples de se fazer atualmente, quando a demanda pelo novo e "inusitado" é demasiada). 

O vinho simples, tanto na forma como no conteúdo, pode ser uma verdadeira experiência estética. É a mesma diferença entre um livro bestseller e um clássico da literatura. Os bibliófilos que apreciam vinho com certeza compreenderam a analogia; já os enófilos que não admiram a boa leitura, fica aí a dica de um livro que é uma abertura para a verdade sobre o universo literário (e vinícola, eu digo!) - Ítalo Calvino: Por que ler os clássicos.



24 janeiro, 2012

Metafísica do bacalhau

Muito interessante o seguinte texto, sobre a obra ficcional de Manuel Vázquez Montalbán, traduzido do alemão pelo Instituto Goethe. Não resisti e resolvi reproduzí-lo na íntegra, apesar de ir contra a cultura blogueira que preza os caracteres limitados. Quem quiser se deliciar e ler por completo irá sair daqui "saciado". O restante, fiquem à vontade para beliscar em alguns trechos!



A metafísica do bacalhau ou os limites do bom gosto em Manuel Vázquez Montalbán 

Albrecht Buschmann



“Bebo para esquecer e como para recordar.“ Com essas palavras, Pepe Carvalho explica pelo menos uma vez em cada uma de suas aventuras literárias por que bebe em excesso ou por que come tanto assim. O esquecimento e a lembrança, dois antípodas na abordagem do passado histórico, estão sempre espreitando no fundo – quando o detetive particular de Manuel Vázquez Montalbán cozinha pastel de puerros y brioche con tuetano y foie, quando prepara farcellets de col rellenos de langosta y lenguado con moras, ou simplesmente come pan amb tomat – sempre acompanhado dos vinhos apropriados. Recorrendo a diversos exemplos dos romances de Montalbán, seria possível explicar como o tema passado, ou seja, a tensa relação entre fixação pela História e recalque da História, se liga em seus livros aos temas cozinhar, comer e experimentar. Para isso, seria preciso penetrar profundamente em seu mundo ficcional. Para facilitar as coisas, no entanto, opto por esboçar considerações prévias sobre uma estética da nutrição, começando por Platão e Aristóteles, e depois fazer uma digressão sobre o valor do bom gosto no Ocidente cristão e discutir a metafísica do bacalhau e as fronteiras do bom gosto, na acepção de Montalbán...

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